nota mental: ou de como um nome pode ser pretensioso

31 de julho de 2007

o sétimo dia

Há um mito que toda cidade do interior paulista é um tipo de “Jeca” lento e sonolento, mas como todo mito, um pingo é verdade outro pingo não. Em Taubaté ou São José dos Campos, onde a frota de veículos entope as ruas desenhadas pelos “engenheiros” coloniais, imperialistas e republicanos, o ritmo é ditado pela velocidade digital com suas mídias e interações.

Trabalho árduo é alguém acalmar os passos desse “Jeca” extremamente estimulado, de segunda a sábado das 8:00 às 20:00, a exceção de sábado em que a palavra disciplina pouco importa.

Contudo, há sábados em que o próprio tempo abandona ser “instantes” para tornar-se um curso calmo entre as cores do dia.

Naqueles sábados de chuva serena e constante onde, no conforto do cafofo, a única preocupação, além de manter o pijama limpo dos respingos de sopinha, é ler um bom livro dos grandes( Machado, Pessoa, Graciliano etc) sem a pressa de terminá-lo hoje, amanhã ou nunca. Ouvir a cadência das palavras em harmonia com a constância da chuva. Uma, duas, três horas, para então descansar os olhos, preparar algo quente para beber, cuidando para não respingar, ligar para conhecidos e rir, escutar música e sorrir; para então, voltar à leitura sem compromisso.

E nesse ir, ver o céu de cinza lápis nº 2 transformar-se em roxo pela nuvens carregadas, pintadas pela noite, noite que pede o aconchego da cama com os braços da mulher que os olhos consideram a mais formosa ,de beleza e inteligência, para o coração, e assim ,dormir, repousar, e quem sabe sonhar.

Às vezes bons livros e alguém para se amar, ou no mínimo gostar, é necessário para transformar o dia num sonho comum, comum como uma boa crônica de uma manhã solar de domingo

30 de julho de 2007

nosso tamanho - somos soldados contra o quê?



era um texto sobre o tempo, aquele tempo comum, aquele, guia do nosso dia, do nossos dias de semana. Mas...

será que toda a humanidade que nos antecedeu, do mais valoroso ao mais medíocre malvado , é mais grandiosa que nós?

quando a morte não encosta a boca no nosso cangote, sempre a resposta, e a voz que a produziu, não bambeia.

agora quando ela toca o pescoço dos conhecidos, nossa voz é bambu contra vento forte.

o que vale mais:

Camões, um desconhecido Tadeu, ou esse soldado enloquecido?



Foto: Don Mccullin

25 de julho de 2007

verde que te quero verde


Em Taubaté, onde houve um lixão que serviu de cemitério para assassinados – e isso não é uma metáfora – a cidade construiu um belo e grande parque com árvores e flores da mata atlântica.

Acredito, numa grande mistura de metafísica com cooperativismo e uma cereja de achismo, que tudo de bom que acontece a uma cidade foi construído por sua própria anima, alma que é alimentada por todos os que vivem e tocam suas terras, sem cair na besteira do “grande coletivismo”.

Hoje, todo parque, novo ou antigo, é um aviso sobre os caminhos sofridos pelos espaços públicos no corpo da cidade.

Um parque só é útil quando interage com os habitantes da cidade, e essa interação não é qualquer evento maluco de “lazer”, e sim, ter segurança e conforto para esquecer-se da vida, caminhar, namorar, ler e quem sabe realizar eventos de “lazer”.

Infelizmente isso não acontece aqui, pois o parque inaugurado há 3 anos só cumprirá seus objetivos daqui a 7 anos, ou seja, ser um parque!

Enquanto isso temos um grande gramado, aberto ao público, incrustado em solo serrano; uma coleção de morros verdes de grama, queimados pelo sol a pino, que pouco traz a cidade e, principalmente, aos 3 bairros pobres - um deles irregular – que circulam esse elefante verde.

É aqui que entra o veneno na alma da cidade, em qualquer cidade.

Essa alma é cada vez mais invadida pelos espectros da celebridade burocrática, que empapuça de velhos e principalmente novos tolos. A cidade não faz mais para si, e os espectros fazem doces ilusões por ela.

O inacreditável acidente com o avião da TAM, e os espectros fingindo; os vôos rasantes de “bala” no Rio, e os espectros fingindo, o desmatamento enlouquecido na Amazônia, e os espectros fingindo; parques, e dinheiro público, que são construídos, e desejados por toda sorte de espectros, sem qualquer plano de curto, médio e longo prazo , e assim, não sabem para que servem e a quem servem.

Isto, como se lê, não é uma crítica especifica a uma entidade ou administração, pouco tenho competência para isso. Isto é apenas uma observação de quem vê “A CIDADE”, por incompetência de muitos, se esquecendo aos poucos o que é.

Logo, moraremos em zumbis sonhando com limbo.

24 de julho de 2007

serei covarde?


Sempre notei que o espaço dos gráficos, a folha vazia, a tela branca, terror de muitos, é onde melhor me manifesto, pois meu raciocínio nunca é interrompido pela voz alterada de um “colega”, e por incrível que possa, numa esperança das mais irreais, aqui, acredito em uma espécie de civilidade que o tempo da escrita permite se desenvolver. Aqui me sinto rei.

Esse texto é mais um esclarecimento a dois professores – que me ajudaram com a estrutura de uma idéia que talvez nunca avance além desses toques – do que um bate-papo com meu leitor irreal. Aqui, e este é sempre o perigo, a voz nunca gagueja, as idéias sim, mas a voz jamais.

Acalantei a idéia de me escrever no Rumos – Itaú Cultural/ literatura, mas não vou.

Talvez todas as sentenças abaixo sejam apenas desculpas de um covarde com medo de perder a visão de sua janela. Não sei, mas, quem sabe?

Primeiro, e o mais obvio; descobri que ainda não tenho o conhecimento para preparar e desenvolver um texto acadêmico com todas as suas metodologias, cronogramas, pesquisas etc; e não tenho estofo para tratar, de maneira crítica e decente, qualquer movimento literário.

Segundo, não concordo com a lei de incentivo fiscal praticada hoje, em que o dinheiro vai parar nas mãos das empresas e não dos artistas, mas esse assunto fica para depois.

Terceiro, apesar de muito me agradar o tema, nunca quis descrevê-lo.

Quando se é ingênuo (a ingenuidade em cada novo assunto a se aprender, mesmo que dure um dia e seja muito tola em certos momentos, é um direito) a “grandeza” exterior do mundo, vista pela refração produzida interior do mundo, nos impele a uma correria boba por ser o "GRANDE QUALQUER COISA", ou o famoso de 30 anos.. Eu não queria o prazer na composição de um bom texto, e sim os louros do programa Metrópolis da TV Cultura e ,quem sabe, uma entrevista para o Entrelinhas e uma fugidinha da vida em Taubaté.

Com a leitura, e a conversa, dos bons amigos, neste ano, entendi que o que importa é mudar os trilhos, a poltrona, mas nunca a janela que serve de guia, o que em suma quer dizer, tentar melhorar sempre, mas não cair no canto da sereia do ser "O ALGUEM" no mundo de hoje.

Contudo, esse ingênuo zumbi tem que ser enfrentado todos os dias.

E quarto e mais subjetivo, o mote de meu trabalho, ou melhor, o tema proposto pela organização, só trará trabalhos de “pé-quebrado”, pois discutir a literatura produzida nas últimas duas décadas, e subseqüentemente, a literatura da minha geração, o povo com menos de 30 anos, será apenas gastar celulose à toa.

Não vou entrar no “diz-que-me-diz” do valor das obras produzidas, ou na excelência dos pesquisadores, já que disso pouco sei.

Eu gosto da minha geração, e sei que muita coisa mudou a partir da década de 80.

Fomos a primeira fornada a conviver com tecnologia ao alcance da prestação em carnê, a queda real dos símbolos esquerda-direita (acho), o consumo exagerado de produtos da indústria cultural, entre outras, que influenciaram em muito a nossa formação cultural.

É na idéia desse parágrafo que se encontra o primeiro problema.

Não conseguimos encontrar um equilíbrio quando falamos de nós – em quase todo o tipo de assunto. Ou exageramos na egolatria pura da grande “geração do momento”, ou nos desacreditamos totalmente frente os nossos ascendentes.

Dúvida?! Basta uma passar nos blogs literários. Acredito que quando alguém consegue equilíbrio, sem cair na besteira de ser “imparcial”, ao falar de alguém tão próximo, isso custou uma vigilância na cata e costura das palavras, que deixou esse autor com dores de cabeça. Basta, agora, somar a velocidade e a quantidade com que a literatura é produzida para compreender que não dá para um texto reflexivo ter o mínimo cuidado e lógica pedida.

Os críticos e autores conseguem pensar no texto rápido do jornal, da revista, do blog.

A reflexão feita por um livro precisa de tempo, certa hierarquia nos autores e sua produção literária, que só é possível com uma pequena estagnação teórica na linha do tempo. Coisa impossível de ser feita no aqui e agora com autores vivos e jovens, alguns ainda com uma pouca e não estabilizada produção.

E aqui entra o segundo dado importante:

O que é realmente importante hoje, e principalmente para o amanhã, no que diz respeito à literatura, que mereça a análise de um livro?! Quem precisa saber disso é a geração de pensadores (!?) de 2050 – com uma pequena ajuda do tempo. Ela é que decidirá o que foi importante, o que realmente merece uma análise em livro.

Enquanto isso, os que pensam e fazem literatura podem agraciar com resenhas, notinhas, pequenos ensaios em periódicos, os leitores que gostam de uma conversa mais “formal” sobre o fazer literário.

Os autores podem ter reconhecimento da rua, nas palestras e festas, mas, por favor, sejam objetivos. Nelson Rodrigues, o homenageado da Flip, sempre foi reconhecido e rechaçado quando vivo, mas seu real valor na literatura foi provado pelo tempo e pelas novas gerações.

Análise da recente produção literária com dinheiro público será que não é um exagero de vaidades?

18 de julho de 2007

pergunta básica




andando pelas estritas calçadas de Taubaté, em dia de chuva, me veio a pergunta.

Tubarão, o filme, o livro, -sim, há um livro - é uma versão "pipoca" de Um Inimigo do Povo?

essas coisas de influência...

detalhe: o anão!o anão!! só consigo pensar em motes politicamente incorretos para o baixinho ao lado do peixe.

9 de julho de 2007

dica para aqueles que gostam de dar dicas -sem o menor dedo de humor


Ganhei o domingo lendo a edição de bolso de “Cartas a um jovem poeta” de Rainer Maria Rilke editado pela LPM.


Nessa primeira leitura o que mais me surpreende é o cuidado de palavras, ou melhor, o trato que esse grande poeta tem com o jovem Franz Kappus, iniciante nos versos. Rilke aponta problemas na poesia, e algumas qualidades do futuro oficial Kappus que desabrocharam com a maturidade, mas a obra não trata só do “belo” verso, e num silogismo delicado descreve o amadurecimento desses dois homens cultos e suas digressões sobre a existência com o passar dos anos.


Infelizmente, sem um Rilke ao auxílio, muitos bons artistas que precisam educar suas técnicas, e pensamentos, abandonam a produção artística, ou pior, se tornam terríveis e petulantes críticos, por não terem maturidade e teoria para avaliar o que é bom ou ruim em um texto, pintura, música, de um contemporâneo e conterrâneo.


Já aqueles senhores e senhoras já gabaritados no mundo das artes, que seriam as bússolas do “insista” ou “desista”, simplesmente se calam a tudo e a todos.

E temos os que temos: Péssimos, medianos, bons que se acovardam e desistem, bons que conquistam um pequeno terreno etc, criando um estado de frivolidade na produção artística.


A dica para aqueles que gostam de dar dicas para futuros escritores, músicos, pintores é:


Seja sincero, diga se presta ou não aquilo que você analisa.

Se não presta, seja sincero e diga que não dá, o cidadão não nasceu para ser artista, ao invés do mutismo avergonhado, mas que ele deve sim, ser um excelente leitor/ espectador.

Se presta, e ali há futuro, exponha o erro e os acertos desse futuro artista de maneira coerente e prática,não o clássico e evasivo dito “você é bom, estude, falta só estudo”


Os artistas e críticos que antecedem seus colegas podem, e isso é histórico, indicar aqueles que saibam fazer as perguntas mais próximas sobre a “arte” para a engrenagem da artística e dar a essa inútil realização humana a graça que ela sempre merece ter.


Só para terminar, pela leitura do texto, acho que Franz Kappus nunca se tornou um poeta laureado, mas tenho certeza que sua conversa epistolar o transformou.

5 de julho de 2007

arquivos e esfinges

Uma das coisas que me fascina na internet ,e em seus sites e blogs de notícias e conhecimentos, é o seu caráter atemporal para matérias e notas jornalísticas divulgadas, por incrível que pareça.

O assunto nunca se perde no momento em que algo é postado e o leitor molda sua leitura de acordo com o seu tempo disponível. Pode-se ler a mais fresquinha nota sobre literatura ou economia; ou um artigo bem feito e longo – apesar de raros no quesito longo – sobre um bom momento cultural ou social que marcou, de alguma maneira, os últimos dois anos.

É lógico que com todo um acervo, da mais fenomenal biblioteca pública mundial até o mais simples blog(como esse), arquivado em “Deus sabe onde”, a defesa do tempo investido ou gasto nessas leituras é outra discussão importante que se faz,mas que é outra história.

Agora, que é estupendo e assustador que a internet com toda a sua velocidade não siga a efemeridade do jornal publicado ontem; ou numa velocidade maior, a notícia esquecida do telejornal do almoço, isso é.

É claro que essas vulgares linhas não são contra o jornal ou o telejornal, e sim desejam afirmar que: se o leitor não possui uma boa hemeroteca ou videoteca na sua cidade para consultas e pesquisas, a internet é sua melhor opção, se possuí, trabalhe com as três.

E tudo isso para prólogo, no tocante ao blá-blá-blá, para anunciar um excelente quadrinho produzido pelo Laerte e divulgado pela Piauí há um dois ou três meses, em que a mais mítica encarnação da Interrogação faz um passeio nos dias “normais” de um homem nada épico, ou será esse o nosso sentido de ser épico.

Interessado em saber como termina. Visite os links da Revista Piauí aqui e aqui.

tempo



a coisa mais tenebrosa a se pensar eternamente é o passado.

tudo o que um dia , mesmo na mais abstrata confabulação, foi concreto, deixa de ser, num "belo" segundo.

roubei um trecho de texto dum falecido blog . Achei de uma beleza, falando do passado.

eu preciso parar de postar neste blog de madrugada, as coisas ficam meio desconexas e levemente enfeitadas com arabescos melancólicos.

El pasado solo sirve para sonreír y aprender, no lo puedes tocar ni regresar, si te quedas con él te mata lentamente hasta hacer pedazos los pedazos que quedan de ti.

El pasado te pertenece pero lo debes liberar y prometerle que nunca volverás a él, pues muerto está y uno no puede vivir con las cosas muertas o en muerto te conviertes.

texto escrito por Dixo

2 de julho de 2007

conceitos

retrato de edward james Rene Magritte -1937

meus heróis estão toda segunda na Hebe. OMEUDEUS!!! eu preciso mudar meus conceitos.