ou de como um nome pode ser pretensioso

6 de Junho de 2008

pergunta

( essa imagem não tem relação nenhuma com o post, mas é bem doidinha)

Como todas sabem, sou do teatro e conversando com um professor de literatura da Faculdade da cidade, a Unitau, descobri que o ensino do gênero dramático na faculdade é fraquinho, fraquinho.

No máximo, uma passadela de olhos na Poética aristotélica, lá no 1º ano e só, depois se esquece do teatro, e mesmo alguns os professores de literatura ou teoria literária têm pouco conhecimento sobre o gênero. Daí veio a curiosidade!

Como é o ensino do texto dramático em outras faculdades? E o que se acha da literatura dramática?!

Faço essa pergunta a cinco estudantes de letras de cinco faculdades diferentes . São eles:

Olivia Maia do Forsit
André Gazola do Lendo.org
Daniel Lopes do blog do daniel (opa! na verdade o Daniel é estudant de jornalismo. Mas o rapaz é tão bom com esse negócio de literatura, que a pergunta continua valendo, só que na visão de jornalista.hehe :D!)
Rover do Seleta da Prosa
Leandro Oliveira do Odisséia 2005

Por favor, se vocês puderem me responder. Agradeço. Peço também a gentileza de pode-las expor aqui.

É uma curiosidade minha, que deixo aqui para quem se interessar.

7 comentários:

André Gazola disse...

Bom, acho que vou ser o primeiro.

Vejamos, das 4 disciplinas de literatura que fiz até agora, em 3 delas estudei obras ou teoria do dramático. Assim:

Estudos Literários I - Lá no primeiro semestre, a gente fica conhecendo um pouco da Poética do Aristóteles e um pouco da história de todos os gêneros.

Estudos Literários II - Aqui não teve nada de dramático. Estudamos os gêneros Conto, Romance, Crônica e Novela. (Com obras contemporâneas, achei a atitude "anti-cânone" fantástica)

Literatura Ocidental - Como era de se esperar, Shakespeare. Lemos e analisamos a peça "Macbeth". Além dele, também vimos o clássico "Édipo Rei", de Sófocles; "Fedra", do francês Racine; "A casa de bernarda Alba" de Garcia Lorca; e "Rinconete y Cortadillo" do Cervantes. No entanto, os focos de análise foram o "trágico" ou "a questão social", baseados sempre na teoria do Antônio Cândido (isso, a Olivia, lá da USP vai me ajudar a confirmar)

Literatura Portuguesa - Aqui vimos duas peças: O Auto da Barca do Inferno e A farsa de Inês Pereira, ambas de Gil Vicente. Além disso com essa última, tivemos que escrever, do zero, uma adaptação teatral para o público infanto-juvenil. Foi divertido, mas trabalhoso.


Eu ando apaixonado pelo conto. Nunca me ative muito ao dramático, mas em meu roteiro de leitura está toda a obra de Shakespeare.

Sim, pois estou formulando um curso de literatura estrangeira para mim mesmo. Acho um absurdo só haver ensino de literatura vernácula (Brasileira, Portuguesa e Latina) na maioria das faculdades. Nesse curso, pretendo desenvolver todas as idéias que acho falhas na minha graduação e, claro, um dia pretendo disponibilizá-lo no meu blog.

Mas o dramático realmente é um gênero esquecido. Apesar de eu ter estudado várias obras, como vimos, em pouquíssimos momentos ouve a citação do termo propriamente dito. São textos, talvez peças, nada mais.

Considero o teatro importantíssimo para um professor de literatura.

Por enquanto é isso, abraços.

Olivia disse...

leo, tentarei responder, mas não prometo nada (o motivo está no meu último post). por ora, posso dizer que tive pouca coisa, mas por causa de um professor cuja especialidade é de fato teatro romântico. como não é dos meus maiores interesses, não sinto lá tanta falta. tenho uns planos de ir atrás de shakespeare, mas só. sei que tem matérias optativas específicas (principalmente do teatro grego e romano, e talvez outras, não me lembro bem), mas não sei mais que isso.

dri disse...

Ah, me deixe responder também!!! hehehe Ó a intrometida!

É que dei uma "passada" pelo curso de Letras da Universidade Estadual de Londrina nas como isso já faz algum tempo, pouco lembro, mas não foi muito profunda a análise da literatura dramática não, alguma coisa nas aulas de Teoria da Literatura e Literatura Portuguesa e Brasileira. Lembrou me de ter caído de boca na obra do Suassuna, mas como toda a àrea de humanas, a gente aprende mais conversando com um colega estudante de artes cênicas no boteco do que dentro de uma sala de aula.

Léo e só disse...

olá André.

Valeu pelo olá.

Legaa ler que a sua faculdade apresenta um bom leque de autores clássicos, não o ideal mas bacana, de teatros.

abs ;)!

Léo e só disse...

olá Olivia.

Valeu, acho que só esse teu depoimento responde na medida.

E, jesus! 97 redações.aiaiai

Léo e só disse...

oi Dri.

Claro que pode se intrometer, e se soubesse, é lógico que eu também te perguntaria! :D!

abs

Rover disse...

Léo, perdoe o delay gigantesco pra responder. A vida está um caos, etc, etc, etc. Mas vamos lá:

Bem, estudo na Unip, aqui em SJC. E... bem... ensino de texto dramático, ali, inexiste. Mesmo. Algo sobre alguns autores, mas em conteúdos cuja qualidade até a Wikipedia supera...

Aristóteles? Muito por cima. Como leitura recomendada e olhe lá.

Gil Vicente? Uma prova sobre o Auto da Barca e olhe lá.

Shakespeare? Conheço o (fantástico) sonetista - e não foi a faculdade que me apresentou não. Já o (igualmente fantástico) autor teatral, nem de longe. Nem pra recomendar as traduções do Millôr a faculdade serviu... (e olhe lá).

Outros? Nem "e olhe lá" dá pra falar...

Nada, nothing, nadie, niente.

Acho que a postura da faculdade, nesse e em outros casos, é incentivar o auto-didatismo, rá, rá...

Arrisco: dependendo do caso, se aprende mais debatendo (em blogs, mesmo) do que frequentando certas aulas...

Abraços.