5 livros da prateleria.
Como acho divertido que só esses memes ( até entrei em um de supetão, ou mais ou menos), topei de pronto.
Bom, pra puxar a sardinha um pouco pro meu lado, indico cinco textos de teatro.
Alguém pode até indagar : Mas texto de teatro é literatura?
Sim, sim, Até Aristotoles defendeu o danado na Poética.
Mas é claro, que todo o potencial de um texto de teatro se revela dentro de uma grande, ou no mínimo, excelente montagem: atores, cenários, direção, luz etc. Um péssima montagem arruina o gosto e o valor de um texto, que o diga o pobre Bardo.
Pena que de uns anos pra cá, com a moda do texto colaborativo, temos mais fragmentos insonsos precisando de atores, do que um bom texto que só tem a crescer com bons atores.
Mas chega de blá-blá-blá,e vamos aos cinco:
Édipo Rei de Sófocles - Sem comentários, ou com alguns. Se alguém quer saber o que é uma tragédia precisa ler os gregos. São os pais e o ápice desse gênero teatral. E ,se alguma merece o prêmio "a mais perfeita das perfeitas", bom, Édipo Rei de Sófocles é a campeã. Uma história envolvente, personagens cativantes, além de toda a carpintaria teatral empregada de maneira sutil e em todos os detalhes. Não é por menos ser o grande exemplo da Poética.É Edipo rei na cabeça!
Rei Lear - Fora, de ser do velho Bill, o bardo, sua leitura foi recente. Está fresquinha, fresquinha. Primeiro, a 1ª leitura é de um só tapa, juro! É empolgante o jogo de intrigas e golpes orquestrado por Shakespeare. Já em uma 2ª, lemos qual o real poder de um homem frente aos espíritos do Tempo, da Morte, Da ganância, do Poder e suas vicissitudes. Uma peça da fase madura do Poeta, considerada a sua melhor obra, ao lado da Tempestade.Um aviso, quem não tem um domínio absurdo do inglês é melhor optar por um boa tradução. A do Millor Fernandes é ótima. E é baratinha, baratinha. Vale também ler pelo fascínio e a encrenca que é encarar esse personagem. Aqui, Paulo Autran, Sergio Britto e Raul Cortez foram engolidos pelo enigma Lear
A morte do caixeiro viajante - A grande tragédia contemporânea foi escrita por Arthur Miller. Mais que um tragédia sobre o sonho americano, é uma tragédia sobre os valores do mundo burguês, a vitória a qualquer custo, ou melhor, sobre o valor de ser um vencedor na sociedade. E isso em 1949. Se, na tragédia clássica, os personagens sofrem atrocidades por enfrentarem suas falhas trágicas; no mundo de Miller, os persoagens se resignam com a dor e choram baixinho.
A cantora careca - Divertida sátira nonsense, carregada de humor negro. Se para Becket, autor de Esperando Godot, o absurdo se encontrava nas relações dos homens mutilados; para Ionesco, o absurdo nasce primeiro na linguagem, na lingua, e de lá que vem o problema principal. É o mais sátiro dos autores do teatro do absurdo e a Cantora Careca, seu primeiro texto, não nega um pingo essa vocação do dramaturgo.
Ler o texto de Martha M.F. Vieira é esclarecedor:
Você sabia que o "teatro do absurdo", criado por Eugene Ionesco, teve sua origem num livro-texto para o ensino de inglês, que apresentava diálogos entre um casal onde, a pretexto de ensinar o vocabulário de uma estrutura familiar, reproduzia conversas absurdas entre marido e mulher como, por exemplo, esta informando ao marido que eles têm três filhos, que ele trabalha como auxiliar de escritório e que o sobrenome deles é Smith? A consciência do absurdo desses diálogos inspirou Ionesco a escrever sua primeira peça, A Cantora careca, em cuja cena mais famosa dois estranhos dialogam sobre banalidades como o tempo, o lugar onde vivem, quantos filhos têm para, surpreendentemente, descobrirem que são marido e mulher.( o link é o texto)
Marta a árvore e o relógio - ( aqui vale ressaltar, falo mais do autor do que de um
livro)
Muitos são os excelentes autores brasileiros: Nelson Rodrigues, Plinio Marcos, Ariano Suassuna etc. Porém, um dos maiores, correndo o risco do ostracismo, é
Jorge Andrade. Autor paulista, nascido, em 22 em Barretos, narra a saga do povo paulista, o espírito bandeirante, a formação cafeeira e a vida nas recentes metrópoles.
Diz Anatol Rosenfeld:
"No seu conjunto esta obra é única na literatura teatral brasileira. Acrescenta à visão épica da saga nordestina a voz mais dramática do mundo bandeirante. É única, esta obra, pela grandeza de concepção e pela unidade e coerência com que as peças se subordinam ao propósito central, mantido durante longos anos com perseverança apaixonada, de devassar e escavar as próprias origens e as de sua gente, de procurar a própria verdade individual através do conhecimento do grupo social de que faz parte e de que, contudo, tende a apartar-se, precisamente mercê da própria procura de um conhecimento mais aguçado e crítico, que situa este grupo na realidade maior da nação".
Na Nova York da década de 50,Jorge Andrade recebera um conselho de Arthur Miller , que deve ser aplicado por qualquer bom dramaturgo:
"Volte para o seu país e procure descobrir por que os homens são o que são e não o que gostariam de ser, e escreva sobre a diferença"
Marta , a árvovre e o relógio é um ciclo de 10 peças , narrando a formação do sudeste brasileiro, do fim do ciclo do ouro até o fim do ciclo do café.
Sobre o ciclo, mais que minhas palavras, vale a leitura de um artigo do
Grande crítico teatral Sábato Magaldi.Deixo agora o convite para o
Ulisses e para a
Dri.