si vis pacem, parabellum, omnia omnes
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" conheci um homem quando eu era jovem. Ernst Brechtman. um açougueiro. na época me parecia um velho, mas ele não devia ter mais de 40. Um dos homens mais gentis que conheci. certa vez, visitei seu matadouro e vi ele matar 26 ovelhas. ele jogava os animais numa laje de cimento, puxava as cabeças para trás e, usando uma faca curva, afiada num velho amolador de pedra com pedal, cortava suas gargantas. o sangue pulsante jorrava pra dentro de um canal que atravessa todos os compartimentos do matadouro, antes de desaguar no rio. quando os animais paravam de sangrar, Ernst sentava numa imunda cadeira de pau, perto do fim da laje. notei que ele estava coberto de sangue, quando acendeu o cachimbo e relaxou. a fumaça era bem-vinda. ajudava a disfarçar o cheiro de sangue. ele enchia os pulmões várias vezes. então erguia a cabeça pra me ver. enquanto uma centena de pernas de ovelhas se debatiam atrás dele, emoldurando seu rosto escuro e ensangüentado numa aura de luz branca, ele sorria. sorria, apesar de tudo que eu tinha visto. reconheci aquele sorriso amplo e cheio de dentes - e foi só então que ele se tornou aquele Ernst que eu conhecia.Ernst Brechtman estava feliz. fazia seu serviço e se recompensava com uma baforada. não havia dúvidas nem perguntas. ele servia a um objetivo.
Essa lembrança me sustentou como soldado."



" a terra não pode nos sustentar, não habitaremos juntos, porque são muitos os seus desejos, e poucas as minhas vontades, sinto, não poderemos habitar um ao lado do outro"


" reinar sobre nós?!"

"....mas , é para isso que servem os homens, não?!"

" Mas é para isso que servem os homens. Não."




















